21 de jul de 2012

Sonhos que quero sonhar...

Muitas vezes, egoísticamente confesso, penso que somente eu possa estar sentindo o enclausuramento causado pelo "cinza da cidade grande"... Mas é que sinto falta do verde da minha infância, das porteiras que se abriam rumo as minhas fantasias caipiras... Sonho com o pôr do sol, com a lua cheia, com o cheiro do mato e com o barulho do carro de boi... Vejo dois caminhos, retornar a minha vida bucólica ou ficar torcendo para que as próximas férias venham logo... Como a primeira opção está fora de cogitação pelo menos por enquanto, vou encarar mais uma ruga ou um novo fio de cabelo branco que com certeza brotarão neste cenário cinza  que escolhemos viver...
Bom... Sonhar eu posso e sonharei com cada raio de sol tocando a terra nua, com a lua refletindo no riacho, com o vento  beijando as folhas do Ipê Amarelo... Me  transportarei  de quando em vez, para a estrada cascalhada que me leva ao paraíso e sendo mais audaciosa, sonharei com  uma cidade bucólica onde as famílias se encontrarão nas praças iluminadas, ao som da banda local e com o pipoqueiro fazendo parte deste cenário cinematográfico que parece estar longe de ser reconquistado... Sem perder o foco, pouco a pouco em meu sonho, a cidade vai sendo humanizada tanto por fora como nos corações dos homens...
Posso ser rotulada pela essência que não deixo escapulir do meu corpo e da minha alma e assim como a arte pode ser confundida com frescura não me importo de ser confundida  com sonhadora...
Cada vez que deixo minhas raizes, fica mais difícil de  equilibrar em outros solos, por mais que os conheça.  Coração apertado.  Alê Casarim 21/07/2012
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!
Casimiro de Abreu

8 comentários:

Júlia Lanza disse...

E deve.

Anônimo disse...

Tenho orgulho de tê-la por perto. Saiba que é suporte para muitos de nós, alunos que te adoram e te admiram de montão.
No entanto, entendo o aperto no peito, também não sou de SL e o cheiro da minha terrinha e dos amigos que lá ficaram me doem também.
Beijo Professora

Luanna Telles

Anônimo disse...

Fica assim não menina...
Tá só querendo um abraço e já vai passar. Vem pra cá, que te aperto e te faço um chamego.

Faby

Alê Casarim disse...

Flores, obrigada pelo carinho...
bjo

Anônimo disse...

Você conseguiu me emocionar.
Sua Linda, não fica assim, estamos todos juntos nesta odisséia transfigurada.

Paz e Bem!

Natalice disse...

Alessandra, você me fez lembrar minha saudosa mãe. Me emocionei. Ela declamava esta poesia do Cassemiro. Beijos. Natalice

Anônimo disse...

Sonhos que quero viver...

As amarras da vida são desatadas na simplicidade de momentos que por muitas vezes nos passam despercebidos. Uma amizade que a muito não ligamos, um abraço que deixamos de dar por pura desatenção, um cumprimento, um sorriso, a nossa falta de percepção da pureza de uma criança que cria soluções simples para a complexidade do dia a dia, uma pessoa que deixamos de cativar e aí por diante. São tantas as amarras que nos prendem a probleminhas, que vão se juntando e nos envolvendo com um automatismo mecâncico implacável, mas, se temos essência, se mantemos... Somos capazes de transformar para melhor.
"O motivador não é aquele que incentiva mas, sim aquele que transforma"
Sonhos que quero viver...

Alê e Rui para o divã de vocês...

Hoje acordei e percebi que o Ipê que plantei a oito anos atrás floriu pela primeira vez... Lembrei-me de vocês automaticamente e por um minuto rezei agradecendo a Deus por tê-los conhecidos... Não me perguntem porque associei as flores aos dois, como disse foi automático e este momento eu não deixei passar, fiz questão de vivê-lo.

Um grande abraço
Paulinho do Boi

Alê Casarim disse...

Artista Amigo com Alma de Anjo...
Você nos emociona sempre!!!
Pode apostar!!! Tem coisas lindas reservadas a você no pote da vida...

Bjo nesta família linda